quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Morte ou suicídio?

      Eeeeeeeeeaaí pessoal, todos vivinhos? Hoje vou postar um texto do futuro escritor de sucesso que amo de paixão: Alexsandro Panizzi. Curtam a arte:


        Nublado como uma manhã de verão fria, como uma noite mudando de estação, você se foi, para longe, longe da minha visão.
        Mesmo distante dos meus braços, posso sentir o seu calor, olhar o seu rancor. Flutuava para fora de sua alma como um botão de flor se abrindo no outono.
        Um bar lotado, numa noite de quinta-feira, copos jogados, olhares avermelhados, músicas daquelas lentas, úmidas e frias. Escorado de forma vulgar em uma bela cadeira de bar, onde pela décima vez eu sentava para chorar.
        Quando aquele rádio tocava, meus olhos jorravam sangues claros como água cintilante de um riacho machucado pelo desgosto da sociedade pouco desenvolvida que ali se encontrava. Vim chorar.
        O bar a fechar, as armas apontadas para meu peito. Morte ou suicídio?
        Suicídio de uma forma um pouco mais exagerada, mais linda. Conto a vocês com detalhes!...
        Na mesma noite me afastando em alguns segundos de vida no qual eu não saberia dizer se já estou no céu ou estou morrendo.
        Estou na minha poltrona com o olhar vidrado. Em minhas mãos, o que sobrou do bar.
        Um estrondo meio estraçalhado de canto se ouve de longe.
        Estava tendo visões como um filme belo com final triste, que todos temos um dia. Minha vida passou diante do meu olhar quando vi a foto da minha esposa que veio a me levar. Felizmente não sobreviveu para contar o porquê não sobrevivi. Sim, morri asfixiado naquela poltrona vermelha com o olhar no bar, e meu espírito a contar uma velha história de pescador que numa ilusão mundial se perde.


Contato: alex_panizzi@live.com

Mais adiante posto mais textos dele. Beijos, se cuidem e durmam bem.


 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Mais um filhinho premiado!

   
       Eeeeeeeeeeaí bambinos, tudo na calma?
       Quem diria que essa criatura sensualizando na grade com uma camiseta de banda de black metal teria um talento (obviamente a sensualidade não é um, kkkk).
        Não tenho filhinhos de carne, cabelos, ossos, órgãos internos e afins, mas gero, todas as semanas, peças literárias que, carinhosamente, são meus filhos.
       Tempo atrás vi a divulgação de um concurso de microcontos promovido pela Biblioteca Ignácio de Loyola Brandão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo.
      MICROcontos, poucas palavras e muitas emoções. Pensei e tive uma inspiração relâmpago, me inscrevi e, PÁH, não é que fiquei em Quinto lugar?
      Logo, meu filhinho mais pequeno premiado! Parabéns criança! Faça as pessoas felizes, reflexivas, criticas e seja lá o que quiserem sentir com ele, hahahahaha.
      Mais adiante postarei o filhote, pois não salvei no pc e não lembro as palavras exatas (mãe relapsa, nem acreditava no potencial do pequeno).
       Se cuidem e durmam com essa, em homenagem ao Halloween: não tem fantasia? Pegue a vassoura e vá!
     
   

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Que cabeça!!!!


        Eeeeeaí queridos! Tudo certinho com vocês? Sei que não tem nada a ver com o que vou escrever aqui, mas, essa aí em cima sou eu recebendo um prêmio literário na minha cidade (Fofinha né?, kkkkk). 
       Mas esse largo sorriso esconde algo muito cruel: uma estabanada, atrapalhada e esquecida assumida! 
      Vocês acreditam que eu, sempre que viajo, esqueço alguma coisa? Acredito que não seja exclusividade minha, mas acontece direto. E o pior que não deixo para trás algo irrelevante: escova de dentes, coberta, toalha de banho, travesseiro.... Lá vai a louca esquecida comprar na primeira farmácia creme dental, escola (geralmente a mais barata, a mais dura, ahhh) e afins. 
            Fora as inúmeras vezes que eu perco pendrives, canetas, réguas e tesouras dentro da minha mochila. E ela não é imensa, do tamanho normal de uma mochila escolar. E procuro, procuro, procuro e nada. Pior que isso, outro dia vasculhava meus pertences a fim de encontrar um marca texto e o que achei? Um baralho indecente (sorry). Até isso, menos o que precisava de fato naquela hora.


         Pessoal, eu fui atrapalhada até para fazer uma filmagem simulando isso! Daí vem a pergunta: onde estão seus pensamentos? Na literatura, em milhões de histórias para escrever, emlivros de diversos assuntos, no boy magia (mmm), no sono... Sou versátil.
         Beijos, durmam bem e acordem melhor ainda!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Cadê o meu príncipe?



Eeeeeeeeaí gente querida, tudo certinho?

Por quantas pessoas você se apaixonou nesse ano que está quase terminando? Quanto durou? Quanto tempo você gastou chorando ou sonhando? Quantas te amaram? Você se apaixonou por si próprio?

Sim, se você acha que hoje escrevo esse texto na bad, acertou, você é um bom observador!
Meu coração está cansado de tanto apanhar nesse ano. Troquei de amores a cada mês, e não por desistência minha, mas de sentir que nenhum eco voltaria aos meus ouvidos.

Nós sonhamos com nosso príncipe encantado, mas não esqueça que um mundo é um lugar frio, e encontrar um coração aquecido está difícil.

Sexo é a coisa mais fácil de se conseguir. Muito simples. Amizade é uma construção que leva certo tempo, e estamos todos tão ocupados durantes os dias e as noites. Amor, gente, deixo a vocês um desafio, como se fosse um grupo de ajuda para superarmos os machucados do coração: deixem abaixo o depoimento de como encontraram seus amores, para que aqueles que não acharam ainda recebam uma esperança!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A vontade em 4 atos

Resultado de imagem para psicologia forense

Esse conto é muito louco!

                                                              A VONTADE
A vontade é um processo de quatro etapas: estímulo, indecisão, decisão e execução. Eu acrescento um: resultado.
       Na grande cidade chamada Condorázia, habitada por cem mil pessoas, acabava de se formar em psicologia o grande Abrão Costa Veríssimo Jr, filho único de Abrão Costa  Veríssimo e Piedade Veríssimo. Agora esse fruto pródigo seria um participante da alta sociedade, sendo denominado apenas como Veríssimo Jr. A honra da família e o futuro membro do mais digno mundo culto.
       Ele iniciaria seus atendimentos na segunda-feira próxima. Apenas uma paciente, uma mulher chamada Isabela. Idade: quarenta anos. Mais detalhes: nenhum.
       Era tudo o que sabia sobre ela.  Estava muito ansioso, finalmente colocaria em prática o vasto conhecimento adquirido ao longo de seus fervorosos estudos. Quantas noites sem dormir estudando, quantos livros lidos. Era a realização de um sonho.
       - Freud orgulhar-se-á de mim! – Exclamava diante do espelho, fitando-se dentro de seus próprios olhos negros.
       Esses atos aconteceram no domingo. A noite passou e finalmente chegou a manhã do dia tão aguardado: segunda-feira.
       Feliz, Veríssimo Jr. vestiu seu terno italiano, gentilmente dado por seu avô paterno,  limpou a lente de seus óculos e colocou-os em seguida. Por fim, penteou os curtos cabelos escuros e pôs os sapatos pretos, lustros como todo o restante do consultório novo. Uma sala no melhor prédio da cidade dada por seu pai como presente de formatura.
       Arrumado, o homem, ou melhor, o senhor, caminhou até o portão de sua casa, por onde sairia para seu primeiro dia de jornada.
       Eram sete horas da manhã. Na casa da frente Clara saía para ir ao colégio. Ela era uma moleca de quinze anos, linda como a mais bela das musas. Trajava a saia da escola, com suas sapatilhas pretas e a camisa da instituição educacional. Ao ver o psicólogo parado a fitando, acenou-lhe, cumprimentando-o.
       Ele respirou fundo, tinha a visto nascer e crescer. Diversos finais de semana viu-a brincando com as crianças vizinhas enquanto estudava para o vestibular. Isso havia oito anos. Mas, retomando o que iria fazer, entrou no seu carro, o qual estava estacionado na rua, e dirigiu até a sala de trabalho.
       Lá o ambiente era lindo. As paredes brancas sustentavam poucos quadros cubistas. Os sofás, um de frente para o outro, transformava o local em um sítio aconchegante. Ao lado esquerdo da sala, uma estante cheia de livros. Todos sobre psicologia, e nenhum outro assunto.
       Enquanto a paciente não chegava, ele sentou-se em sua cadeira e pôs-se a contemplar o local, seu lugar.
       Isabela chegou às nove horas. Era uma mulher atraente e não possuía nenhum anel que denotasse compromisso com alguém. Também possuía uma voz doce, revelada através do rápido diálogo com a secretária Gertudres, na sala de espera. Não aparentava problemas.
       Mesmo Veríssimo estando solteiro aos trinta e oito anos, tratá-la-ia profissionalmente. Para tanto imaginaria a maturidade adquirida quando conseguiu ingressar na universidade, após voltar da França, onde estudava o idioma local. Esse fato o marcara, pois era um dos alunos mais velhos a freqüentar as disciplinas do curso de psicologia, e isso o fazia sentir-se mal. Tivera que realizar o vestibular aos vinte e oito anos! Que tormento para alguém tão culto. Mas prossigamos.
       - Sente-se e fale sobre o que lhe incomoda, ou melhor, sobre o que quiser! – Afirmou o homem após ambos estarem acomodados em seus respectivos lugares.
       Ela começou a contar sobre sua vaidade, extrema, seu trabalho na loja de conveniências, sua rotina em assistir novelas, etc... Quando faltavam dez minutos para o final da sessão, escapou-lhe a seguinte afirmação:
       - Às vezes minha razão não concorda com certos atos que pratico, não sei explicar. Cuido de um menino, sabe... Sinto um desejo e após executo. Vendo o resultado sinto fortes arrependimentos, mas sinto o prazer de ter realizado.
       Durante a fala da paciente, o senhor via imagens de Clara, sempre esperta no jardim de sua casa aos domingos. Linda moleca. Parecia um transe que tomava conta de seus pensamentos...
       - Bem, já é hora de terminar. Até semana que vêm. - Falou Veríssimo despedindo-se de Isabela.
       Nesse primeiro dia não havia mais pacientes, o jeito era estudar o que ela tinha. Mas o homem, sempre culto, já definira como “vontade anormal”, isto é, a mulher não seguiria o ciclo normal desse fator, que seria estímulo, indecisão, decisão e execução. Inferência pessoal. O que ela fazia? O que significava o menino? Que prazer era esse? Deveria descobrir aos poucos, como um senhor equilibrado.
       Durante o solitário almoço, o psicólogo tentou colocar-se no lugar de Isabela. Imaginou-se em uma casa com uma menina a brincar até o momento em que ele resolvesse...
       Não, que pensamento indigno! Não poderia estar acontecendo isso, seria um crime! Nesse caso não deveria ser resolvido por ele, mas por uma delegacia. Intolerável, repugnante e inimaginável. A mulher não poderia sentir prazer com essa maldade. Clara? Deveria parar de pensar nisso. Tinha vinte anos a mais que a doce garotinha. Controlaria suas forças instintivo-emocionais. Era um grande homem, um senhor.
       Assim almoçou. O dia continuava passando. As pessoas agiam, escrevendo suas histórias vitais enquanto um vento regia a sincrônica respiração.
       Após a tensa tarde, Veríssimo dirigiu-se a sua casa e ao chegar a frente ao seu portão viu que a musa de seus pensamentos repreendidos beijava ardentemente um outro jovenzinho, que após o ato afastou-se dela até sumir. Clara, percebendo o olhar fixo de seu vizinho Abrão, acenou-lhe como de costume.
       Sentia o homem dentro de si uma confusão de sentimentos. Sua mente lembrava-o do filósofo Nietzsche colocando que aquilo que se faz por amor está além do bem e do mal. O corpo pedia uma execução do estímulo que brotava da sua mente. Ela era linda e acabava de virar-se para entrar em seu lar. “Cuido de um menino... sinto o prazer de ter realizado”, ouvia Veríssimo nitidamente, latente em sua memória. Clara. Isabela. Um homem.
       Clara permanecia na calçada. Impulsivamente ele chamou a menina pedindo que ela o acompanhasse até sua casa. Seria rápida a visita. Sorridente e com toda a sua inocência, a menina aceitou. Os dois entraram silenciosamente pela porta. Depois de cerrada, o vespertino tornou-se noite e continuou  a enfeitar o escuro céu. As estrelas formavam diversos desenhos e pareciam dançar ao redor da lua. O vento quente, típico de uma noite de verão, era um convite para um brinde apaixonado.  Uma madrugada longa.
       Na manhã seguinte, às sete horas, apenas Abrão saiu do lar para cumprir sua rotina de trabalho. Ninguém mais veria a linda moleca.
       Quando chegara ao consultório, para sua surpresa, encontrou Isabela sentada à sua espera. Chorava muito, mal podia respirar. Suas mãos tremiam e a palidez cobria seu semblante vaidoso. Algo ruim deveria ter acontecido. Sério, pediu para que ela o acompanhasse.
       Ambos entraram no espaço de consultas e a mulher iniciou seu desabafo:
       - Não pude esperar até a próxima semana, aconteceu algo horrível. Lembra que eu falei sobre um menino? Ele tem quinze anos e hoje fugiu de casa após saber, por intermédio de uma coleguinha, que sua grande paixão também o fizera. Não sei se realmente fugiu, apenas ninguém sabe nada sobre ela, nem pais, nem a escola. Talvez seja cedo para pensar no pior. Não sei se você a conhece, seu nome é Clara Silva. 
       E prosseguiu emocionada, entre soluços:
       - Sempre fui exagerada na vaidade e chamava muita atenção, pois me dava prazer. Isso me fazia sentir culpada, pois me sentia superior a todos. Esse era o maior problema que possuía e que me levou a lhe procurar. Hoje com esse acontecimento acordei curada. O que faço?
       Clara. O garoto de quinze anos, a musa, Isabela, um homem, a pintura mais imperfeita de um pintor. A moleca não havia fugido e  o psicólogo tinha certeza disso. A noite passada pesava-lhe na consciência, mas sentia o prazer de ter realizado sua vontade, e por amor.
       - Acho que você não precisa mais de mim. Está curada. Pode partir e tente entender: o que se faz por amor está além do bem e do mal. – Proferiu o senhor Veríssimo, o psicólogo, à mulher, que foi embora sem mais voltar.
       Passou o tempo. Os livros foram mantidos na prateleira. O consultório foi fechado e ninguém mais pisou naquele lugar. A casa de Veríssimo fora abandonada, sumindo entre os arbustos que se ergueram no jardim. Clara ficou na memória de Abrão, sua eterna musa fria e insolente, que não compreendeu até o final o grande amor que ele sentia. Nem retribuíra! Queria esquecer aqueles momentos. Não conseguia.

       Olhando-se no espelho retrovisor, o psicólogo percebeu, em seu carro antes de conduzir-lo de forma a sumir para sempre, que ele era o senhor da cultura, Veríssimo Jr., a grande honra da família, um homem, um demente e apenas mais um animal. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Eeeeeeeeeeeeeaí gente faceira? Hoje vou postar algo mais intimista, e também louco, sobre água. Boa leitura:

Águas….

Os passos marcando a areia
o vento ventando em seu rosto
e ele queria a água
seguindo a água do rio: oceano

Água em seus pés e seus olhos
Cada vez mais próximo: mar
Cada vez mais real: areia
Cada vez mais perto: mar
Cada vez mais na retina: nascimento

Os passos marcando as ondas
o vento beijando seu rosto
Cada vez mais real: liberdade
Cada vez mais o rio ao oceano.


  
Águas
            Num dia de sol, bem no meio da avenida, o mundo parou para Tom.
            Tom tornou-se estático no meio de uma avenida. Paralisado de braços abertos, abraçava fumaça e sirenes, buzinas e conversas.
            Passava a luz do dia, a luz da noite, os relógios febris giravam seus ponteiros, sem cessar, nunca. Tom, de braços abertos no centro da avenida, também não cansava. Parado lá, sem chamar atenção daquela cidade tão presa em sua rotina, continuava na sua posição ereta, numa mistura entre Cristo e Lúcifer.
            Passados dois anos e, no topo de um prédio, uma menina debruçou-se no oitavo andar a observar o homem. Ela, com seus olhos quentes, observava Tom paralisado, dia e noite, sem parar. Pouco a pouco seus lábios se esticaram e seus dentes foram expostos. O homem, vendo que era observado pela menina, sorriu, como se a conhecesse há anos.
            E mais dois anos se passaram, e um terceiro indivíduo juntou-se à paisagem: uma senhora sentada na cadeira de balanço, sem se mover. E ela observava o homem no centro da avenida, que observava a garota que o observava, num círculo imperfeito, que não afetava a rotina da cidade.
            E chovia. Chovia como a muito não fazia na cidade, e, lentamente a água começou a cobrir o homem parado no centro da avenida, e também a senhora sentada na cadeira de balanço.
            E eles não se moviam, enquanto eram consumidos pela água da chuva e a água escorria dos olhos da menina parada no oitavo andar do prédio.

            Quando o homem ficou totalmente submerso, e a senhora também. A menina continuou observando o local onde Tom permanecia, mesmo que escondido pelas águas.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Eeeeeeaí gente, conhecem esse cara aí?


             Até gostaria de brincar com a atualidade se seus traços, mas barba está na moda, então ficamos com seu nome apenas: o terror dos jovens, a paixão das professoras de Literatura, o carinha que mora no albergue da cidade: JOSÉ DE ALENCAR!

               Sim, o autor de Iracema, O Guarani, Lucíola, Cinco Minutos, O Tronco do Ipê, O Sertanejo e tantos outros clássicos que a maioria das pessoas não gosta de ler. Mas, por que isso? A resposta é simples:

               “Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo. Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido. De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu.” Iracema.

               Rumor? Fofoca?, sesta não seria com x?, Ignotas? AHHHHHHHHHHHHHH!
            A culpa está na linguagem, que mudou muito desde o século XIX, obviamente. Se a obra fosse traduzida seria bem mais interessante, por entenderíamos. Porém, isso não significa que essa deveria ser assim: 
          
        Tinha uma novinha no mato tranquila, até que ouviu um barulho estranho e, olhando, viu que era um cara branquelo de olhos azuis na maior bad. O menor tinha umas armas e style estranho. Daí a novinha mandou ver uma flecha no cara e deu ruim.

         Outro trecho:
      
         Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do Sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros. Serenai verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas. Onde vai a afouta jangada, que deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande vela? Onde vai como branca alcíone buscando o rochedo pátrio nas solidões do oceano? Três entes respiram sobre o frágil lenho que vai singrando veloce, mar em fora; Um jovem guerreiro cuja tez branca não cora o sangue americano; uma criança e um rafeiro que viram a luz no berço das florestas, e brincam irmãos, filhos ambos da mesma terra selvagem. A lufada intermitente traz da praia um eco vibrante, que ressoa entre o marulho das vagas:
       — Iracema!…

       Numa praia maneira, com barulho de pássaros, mar limpo e praia com coqueiros, no Ceará, um cara branco.... (bugou)..... Iracema!

       Dizem os estudiosos mais fervorosos que traduzir obras clássicas tira a qualidade poética da mesma. Mas, de que adianta a poesia sem o leitor? Claro, as traduções acima tiram qualquer beleza, mas, por que não facilitar um pouquinho a vida de nós, leitores?
       Pior que tudo isso é quando você aceita o desafio de ler o José de Alencar e, ao buscar no dicionário certas palavras, não as encontra! O quê?! Nem no dicionário!?

        Acredito que mexer um pouquinho em alguns léxicos e termos muito 'ignóbios' de nosso tempo não deixaria o homem brabo. Qualquer coisa, por que não atualizar seus livros por meio de sessões mediúnicas? Aí ele poderia palpitar sobre as modificações.
       Ou senão podemos pegar todas essas palavras velhas e começar a ensinar por povão, assim preparando-os/nos para essas leituras enigmáticas. Seria interessante se, por exemplo, malandramente, fosse assim:

       Indolentemente
       A moçoila insipiente
       Inplicou-se com a turba
       Para permitir-se lograr

      Indolentemente
      Fez feições de tíbio
      Implicada com a plebe
      Iniciou a incutir avidez

      Ai libertina
     No momento de realizar o coito....

     Lindo né?   Tudo de cultura para vocês, queridos e queridas!